Suporte nativo para tecla Fn chega ao Kernel Linux 7.0 para Chromebooks

Novo patch no Kernel Linux 7.0 libera funções avançadas de teclado em hardware Google ChromeOS!

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...
  • O Kernel Linux 7.0 introduz suporte nativo à tecla Fn para Chromebooks através do driver cros_ec_keyb.
  • A atualização permite que teclas de hardware tenham dupla função dinâmica, como o uso de F1-F12 em teclados ChromeOS.
  • Desenvolvido por Fabio Baltieri, o patch v7 otimiza a comunicação com o Embedded Controller do sistema.
  • A implementação inclui uma nova camada de mapeamento (fn-map) que reage em tempo real ao pressionamento da tecla.
  • A novidade deve chegar às distribuições estáveis entre abril e maio de 2026, junto ao lançamento final do Kernel 7.0.

O ecossistema de hardware do Google está prestes a ganhar um refinamento importante na sua interação com o usuário. O desenvolvedor Fabio Baltieri enviou a sétima versão de um conjunto de patches que adiciona suporte completo à tecla “Fn” e a uma camada de funções dedicada para teclados controlados pelo ChromeOS Embedded Controller (EC). A mudança, integrada ao subsistema de entrada, é um dos destaques técnicos para o ciclo do Kernel Linux 7.0.

Este refinamento técnico chega em um momento crucial, já que, como acompanhamos no SempreUpdate, o Google prepara o Aluminium OS como o sucessor do ChromeOS, o que exige drivers de hardware cada vez mais padronizados para a nova arquitetura unificada.

O que isso significa na prática

Para o usuário final, especialmente aqueles que utilizam Chromebooks com distribuições Linux tradicionais, essa atualização resolve uma limitação histórica de mapeamento. Anteriormente, o driver do teclado ChromeOS lidava com uma matriz de teclas mais rígida. Com o novo patch, o sistema agora reconhece a tecla Fn como um modificador real. Isso permite que uma única tecla física tenha duas funções distintas: uma normal e outra acionada ao segurar o Fn, permitindo, por exemplo, que as teclas de brilho ou volume funcionem como F1-F12 de forma muito mais fluida, como ocorre em notebooks convencionais.

Detalhes da implementação

Tecnicamente, o trabalho de Baltieri foi dividido em duas frentes. Primeiro, o patch exporta a função input_default_setkeycode, permitindo que drivers específicos chamem o manipulador padrão enquanto executam ações customizadas. No driver cros_ec_keyb, foi implementada uma lógica que monitora o estado da tecla Fn (fn_key_pressed) para decidir qual scancode enviar ao sistema em tempo de execução.

A implementação utiliza uma “camada Fn” (fn-map) que expande a matriz de busca de teclas. Quando a tecla Fn é detectada, o driver redireciona a busca para uma linha virtual superior na matriz de códigos. Se nenhuma tecla for pressionada junto com o Fn, o sistema ainda é capaz de reportar o evento da tecla Fn isolada, garantindo que atalhos de sistema não sejam quebrados.

CaracterísticaAntes do PatchDepois do Patch
Mapeamento FnEstático/LimitadoDinâmico via fn-map
Matriz de Teclas18 colunas simplesSuporte a camada dupla (Fn)
FlexibilidadeFixa no hardwareRecomputada em tempo de execução

Curiosidades e bastidores da discussão

Chegar à versão 7 (v7) do patch não foi uma tarefa simples. A discussão na LKML revelou um cuidado minucioso com a eficiência do código. Dmitry Torokhov, o mantenedor do subsistema de input, interveio para sugerir simplificações importantes na forma como o driver varre a matriz de teclas. Em vez de loops complexos, Dmitry propôs uma varredura linear mais direta, o que reduz o overhead de processamento a cada pressionamento de tecla. Essa “fofoca técnica” mostra que, para os mantenedores, não basta a funcionalidade existir; ela precisa ser elegante o suficiente para não desperdiçar ciclos de CPU.

Quando isso chega no meu PC?

O Kernel Linux 7.0 está iniciando seu ciclo de desenvolvimento. A expectativa é que a versão estável seja lançada entre o final de abril e o início de maio de 2026. Usuários de distribuições rolling release, como Arch Linux e openSUSE Tumbleweed, devem receber a novidade logo após o lançamento. Usuários de distribuições com ciclos fixos, como o futuro Ubuntu 26.10 ou as revisões do Fedora 44, terão o suporte integrado assim que adotarem a base 7.0.

Compartilhe este artigo
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre GNU/Linux, Software Livre e Código Aberto, dedica-se a descomplicar o universo tecnológico para entusiastas e profissionais. Seu foco é em notícias, tutoriais e análises aprofundadas, promovendo o conhecimento e a liberdade digital no Brasil.