Linux 6.20 recebe otimização de Workqueues e novo controle de “Pânico” para servidores

Linux 6.20: O fim dos 'engasgos' em servidores sob pressão de memória.

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...
  • Linux 6.20 acaba com gargalos de Workqueue. Se o seu servidor Linux sofre com picos de latência quando a memória está cheia, a versão 6.20 traz a solução. O novo sistema de "resgate" (rescuer) processa tarefas uma por uma, impedindo que um único processo lento trave toda a fila. Menos espera, mais fluidez.
  • Sysadmins: Controle total sobre "Stalls". Cansado de servidores que travam sem deixar rastro? O Linux 6.20 introduz o workqueue.panic_on_stall_time. Agora você pode configurar o Kernel para entrar em "pânico controlado" após X segundos de inatividade, permitindo capturar o dump de memória e descobrir a causa raiz.
  • Código Brasileiro no Kernel 6.20. O desenvolvedor brasileiro Breno Leitao enviou patches vitais para a estabilidade do sistema. Ele substituiu o antigo BUG_ON (que matava processos abruptamente) por chamadas de panic() organizadas, garantindo que logs de erro sejam preservados em falhas críticas de workqueue.
  • Otimização Inteligente de Recursos. A grande mudança técnica do 6.20: o Workqueue Rescuer deixou de ser "guloso". Antes, ele pegava todas as tarefas de uma vez (slurping), criando atrasos. Agora, ele usa um cursor inteligente para processar sob demanda, liberando a CPU assim que a pressão de memória diminui.
  • Prepare-se para Fevereiro/Março de 2026. Esta atualização é crítica para Datacenters e Cloud Computing. Se você gerencia infraestrutura de alta densidade, a migração para o Kernel 6.20 (ou backport destes patches) deve estar no seu roadmap para evitar latências inexplicáveis em horários de pico.

Tejun Heo, mantenedor do subsistema de gerenciamento de tarefas do kernel, enviou um conjunto de alterações cruciais para a janela de mesclagem do Linux Kernel 6.20. As mudanças focam em dois pilares: reduzir drasticamente a latência do sistema sob forte pressão de memória e fornecer aos administradores de sistemas (sysadmins) ferramentas granulares para lidar com travamentos (stalls).

A atualização resolve um gargalo antigo no mecanismo de “resgate” (rescuer) das filas de trabalho (workqueues), que causava latência desnecessária em momentos críticos. Além disso, patches enviados pelo brasileiro Breno Leitao introduzem novos parâmetros de compilação e boot para forçar um panic controlado, facilitando a depuração em grandes datacenters.

O que isso significa na prática:

Imagine uma fila de caixa rápido no mercado (a workqueue). Quando o mercado está lotado (pressão de memória), o gerente abria um “caixa de emergência” (o rescuer).

  • Como era antes: O caixa de emergência puxava todos os clientes da fila de uma vez para sua responsabilidade. Se o primeiro cliente tivesse um carrinho cheio, todos os outros atrás dele ficavam presos esperando, travando o fluxo do mercado inteiro.
  • Como fica agora: O caixa de emergência atende um cliente por vez. Ao terminar, ele olha para o mercado: “Ainda está lotado?”. Se sim, ele atende mais um. Se não, ele fecha e deixa os caixas normais trabalharem. O computador responde mais rápido porque não fica refém de uma lista gigante de tarefas em um único processo.

Detalhes da implementação

As mudanças afetam diretamente o kernel/workqueue.c, o coração do processamento assíncrono do Linux.

1. Otimização do rescuer (Lai Jiangshan)

A mudança técnica mais significativa está na lógica do rescuer thread. Anteriormente, quando uma workqueue solicitava socorro (send_mayday), o rescuer “sugava” (slurping) todas as tarefas pendentes daquela fila para uma lista privada.

  • O problema: Uma única tarefa bloqueante (long-blocking work item) capturada pelo rescuer impedia que todas as subsequentes fossem executadas, causando alta latência mesmo que kworkers normais ficassem livres segundos depois.
  • A solução (Cursor e pressão): O novo patch altera isso para processar os itens um por um usando um cursor. A nuance crítica aqui é o patch “Process extra works in rescuer on memory pressure”. O rescuer agora verifica a pressão de memória a cada item processado. Ele só continua assumindo tarefas se a pressão persistir; caso contrário, devolve o controle ao fluxo normal, garantindo dinamismo.

2. Controle de pânico em stalls (Breno Leitao)

Para ambientes de produção crítica (como servidores de nuvem), ficar travado (stalled) é pior do que reiniciar. Breno Leitao introduziu flexibilidade total para sysadmins:

  • No Boot (Runtime): O parâmetro workqueue.panic_on_stall_time permite definir um tempo limite (em ms) para que o kernel entre em pânico se uma workqueue travar.
  • Na Compilação (Build Time): Foi adicionada a opção CONFIG_BOOTPARAM_WQ_STALL_PANIC. Isso permite que mantenedores de distros ou engenheiros construam kernels que já nascem configurados para “entrar em pânico” em stalls, sem depender de argumentos na linha de comando do GRUB.
  • Limpeza de Código: Substituição de BUG_ON() por panic() nos caminhos de watchdog. Enquanto BUG_ON mata o processo de forma abrupta, o panic() garante uma parada controlada, permitindo que o kdump capture o estado da memória para análise posterior.

Quando isso chega no meu PC?

Este patchset foi enviado para a janela de merge do Linux Kernel 6.20.

  • Status Atual: Pull Request enviado para Linus Torvalds.
  • Lançamento da versão estável: Previsto para fevereiro/março de 2026 (considerando a data do email fornecido).
  • Distribuições: Usuários de distribuições Rolling Release (Arch, Tumbleweed) receberão logo após o lançamento estável.
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