A participação do Linux na Steam em dezembro de 2025 não foi de 3,19% como indicado inicialmente. Após uma atualização da Steam Hardware & Software Survey da Valve, o número foi revisado para 3,58%, um recorde histórico dentro da plataforma.
O dado importa por um motivo simples: ele reforça que a estratégia “hardware puxando software”, com Steam Deck, SteamOS e Proton, está reduzindo a fricção que sempre limitou o Linux no gaming e, por tabela, no desktop.
Fatos confirmados na Steam

- Dado inicial (dez/2025): 3,19% de uso de Linux na Steam.
- Dado corrigido (após atualização): 3,58% (recorde histórico).
- Data da notícia: 07 de janeiro de 2026.
- Compatibilidade: perto de 90% dos jogos de Windows funcionam no Linux via Proton e SteamOS.
- Causa citada: “lassitude” com o Windows (cansaço, fadiga).
- Iniciativa desktop: GNOME e KDE trabalhando juntos em uma loja de apps baseada em Flatpak.
- Tecnologia base: Proton (baseado em Wine).
Entenda em 90 segundos
A Steam mede, de forma recorrente, o perfil de hardware e software dos seus usuários. Em dezembro de 2025, a pesquisa apontou 3,19% de participação do Linux. Uma atualização posterior revisou esse valor para 3,58%, transformando o mês em um novo recorde para o sistema dentro do ecossistema Steam.
O ponto mais relevante é o contexto dessa alta. A fonte associa o avanço à combinação entre o Steam Deck (um PC portátil otimizado para jogos), o SteamOS (um sistema baseado em Linux focado em gaming) e o Proton, que viabiliza a execução de jogos de Windows no Linux.
Em outras palavras: para muita gente, o Linux deixou de ser uma “escolha manual” e passou a ser o sistema que já vem pronto, com a camada de compatibilidade trabalhando nos bastidores.
O fim do mito “Linux não é para jogos”
Por anos, a imagem do Linux ficou presa a duas ideias difíceis de derrubar. A primeira: “é sistema de geeks”. A segunda: “é bom para programação, mas ruim para jogar e para uso comum”. A própria fonte cita esse tipo de percepção em comentários recorrentes na internet.
Um exemplo direto, traduzido do texto, resume bem o estigma antigo: “Embora o Linux seja melhor para programação, eu escolheria o Windows em vez do Linux para jogos, em termos de facilidade de uso e, sobretudo, para usar o Microsoft Office.”
O que muda agora é a experiência prática. O Steam Deck coloca o usuário em um ambiente pré-configurado, sem a sensação de estar “montando um quebra-cabeça” para jogar. E quando o jogo roda, o mito perde força por repetição: o usuário vê funcionar, continua usando e, com o tempo, passa a confiar.
A fonte também cita a “lassitude” com o Windows como fator explicativo. Esse cansaço não significa que o usuário virou entusiasta de Linux do dia para a noite. Significa, com mais frequência, que ele está mais aberto a alternativas que ofereçam menos atrito, especialmente quando vêm empacotadas em um produto que resolve o principal: jogar.
Deep dive técnico: Proton e ecossistema
O motor dessa virada é o Proton. Na prática, ele é uma camada de compatibilidade baseada no Wine que permite rodar jogos de Windows no Linux. A tese da fonte é objetiva: ao combinar SteamOS e Steam Deck, a plataforma passou a entregar um nível de compatibilidade capaz de colocar “quase todo” o catálogo de jogos de Windows dentro de um ambiente Linux, com desempenho muitas vezes comparável, e por vezes superior.
Isso muda o comportamento do usuário em duas etapas:
- Primeiro, ele compra um dispositivo pensado para gaming e começa a jogar. Ele nem precisa se importar com o sistema operacional, porque o ambiente já está pronto.
- Depois, ele descobre que o Deck também tem “modo desktop”. Ali, o Linux deixa de ser apenas “o sistema do jogo” e vira uma distribuição completa: dá para instalar ferramentas, IDEs, apps profissionais e pacotes universais como Flatpaks.
A fonte descreve esse processo como uma espécie de “evangelização suave”. Não é uma conversão ideológica, é uma migração por conveniência: a porta de entrada é o gaming e o restante do desktop vem no pacote, sem exigir que o usuário reaprenda tudo antes de obter valor.
Esse movimento também pressiona uma das dores clássicas do Linux no desktop: a fragmentação. O texto aponta que GNOME e KDE estão unindo forças para criar um magasin d’applications baseado em Flatpak, com a ambição de substituir, no cotidiano do usuário, o modelo tradicional de distribuição de software via DEB e RPM. O argumento é pragmático: apps em Flatpak rodam em qualquer distribuição, o que reduz o custo de “ser compatível com Linux” no mundo real.
O que muda para quem usa
- Se você joga na Steam, a experiência no Linux tende a ser cada vez menos “exceção” e mais “padrão que funciona”, impulsionada por SteamOS e Proton.
- O Steam Deck funciona como um atalho de adoção: você entra pelo gaming e, se quiser, fica no desktop sem trocar de sistema.
- A barreira de software tradicional do desktop continua existindo, com destaque para Adobe Photoshop e Microsoft Office, citados como ausências relevantes.
- A resposta do ecossistema passa por padronização de entrega de apps, com Flatpak como aposta para reduzir a fragmentação.
- A tendência descrita na fonte é de continuidade: o Linux segue recuperando espaço dentro da cadeia de PCs, em comparação com o Windows.
Mini-glossário
- SteamOS:
SteamOS, sistema baseado em Linux otimizado para jogos, usado como base no Steam Deck. - Proton:
Proton, camada de compatibilidade baseada em Wine para rodar jogos de Windows no Linux. - Flatpak: Flatpak, formato universal de empacotamento e distribuição de apps que roda em múltiplas distribuições Linux.
- Wine:
Wine, tecnologia de compatibilidade que permite executar programas de Windows em sistemas tipo Unix. - Steam Hardware & Software Survey: Steam Hardware & Software Survey, pesquisa recorrente da Valve que mede o perfil de hardware e software dos usuários da Steam.
Frases para guardar
- Proton é a camada de compatibilidade, baseada em Wine, que viabiliza jogos de Windows no Linux.
- A correção da pesquisa elevou o Linux para 3,58% na Steam, acima dos 3,19% iniciais de dezembro de 2025.
- O Steam Deck normaliza o Linux ao entregar um ambiente pré-configurado, com menos fricção para jogar.
- O sucesso do hardware cria uma “adoção por osmose”: o usuário joga e só depois percebe que está no Linux.
- A fragmentação do desktop (pacotes
DEBeRPM) é um alvo direto de iniciativas baseadas em Flatpak. - A promessa prática do ecossistema é simples: jogar primeiro, explorar o desktop depois, sem troca de plataforma.
- Citação traduzida (da fonte): “Embora o Linux seja melhor para programação, eu escolheria o Windows em vez do Linux para jogos e para usar o Microsoft Office.”
