Linux bate 3,58% na Steam: por que o Steam Deck está mudando o jogo?

A correção da Steam Survey confirmou o recorde de 3,58% e reforçou o papel do Steam Deck, SteamOS e Proton na popularização do Linux.

Escrito por
Emanuel Negromonte
Emanuel Negromonte é Jornalista, Mestre em Tecnologia da Informação e atualmente cursa a segunda graduação em Engenharia de Software. Com 14 anos de experiência escrevendo sobre...

A participação do Linux na Steam em dezembro de 2025 não foi de 3,19% como indicado inicialmente. Após uma atualização da Steam Hardware & Software Survey da Valve, o número foi revisado para 3,58%, um recorde histórico dentro da plataforma.

O dado importa por um motivo simples: ele reforça que a estratégia “hardware puxando software”, com Steam Deck, SteamOS e Proton, está reduzindo a fricção que sempre limitou o Linux no gaming e, por tabela, no desktop.

Fatos confirmados na Steam

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Linux bate 3,58% na Steam: por que o Steam Deck está mudando o jogo? 3
  • Dado inicial (dez/2025): 3,19% de uso de Linux na Steam.
  • Dado corrigido (após atualização): 3,58% (recorde histórico).
  • Data da notícia: 07 de janeiro de 2026.
  • Compatibilidade: perto de 90% dos jogos de Windows funcionam no Linux via Proton e SteamOS.
  • Causa citada: “lassitude” com o Windows (cansaço, fadiga).
  • Iniciativa desktop: GNOME e KDE trabalhando juntos em uma loja de apps baseada em Flatpak.
  • Tecnologia base: Proton (baseado em Wine).

Entenda em 90 segundos

A Steam mede, de forma recorrente, o perfil de hardware e software dos seus usuários. Em dezembro de 2025, a pesquisa apontou 3,19% de participação do Linux. Uma atualização posterior revisou esse valor para 3,58%, transformando o mês em um novo recorde para o sistema dentro do ecossistema Steam.

O ponto mais relevante é o contexto dessa alta. A fonte associa o avanço à combinação entre o Steam Deck (um PC portátil otimizado para jogos), o SteamOS (um sistema baseado em Linux focado em gaming) e o Proton, que viabiliza a execução de jogos de Windows no Linux.

Em outras palavras: para muita gente, o Linux deixou de ser uma “escolha manual” e passou a ser o sistema que já vem pronto, com a camada de compatibilidade trabalhando nos bastidores.

O fim do mito “Linux não é para jogos”

Por anos, a imagem do Linux ficou presa a duas ideias difíceis de derrubar. A primeira: “é sistema de geeks”. A segunda: “é bom para programação, mas ruim para jogar e para uso comum”. A própria fonte cita esse tipo de percepção em comentários recorrentes na internet.

Um exemplo direto, traduzido do texto, resume bem o estigma antigo: “Embora o Linux seja melhor para programação, eu escolheria o Windows em vez do Linux para jogos, em termos de facilidade de uso e, sobretudo, para usar o Microsoft Office.”

O que muda agora é a experiência prática. O Steam Deck coloca o usuário em um ambiente pré-configurado, sem a sensação de estar “montando um quebra-cabeça” para jogar. E quando o jogo roda, o mito perde força por repetição: o usuário vê funcionar, continua usando e, com o tempo, passa a confiar.

A fonte também cita a “lassitude” com o Windows como fator explicativo. Esse cansaço não significa que o usuário virou entusiasta de Linux do dia para a noite. Significa, com mais frequência, que ele está mais aberto a alternativas que ofereçam menos atrito, especialmente quando vêm empacotadas em um produto que resolve o principal: jogar.

Deep dive técnico: Proton e ecossistema

O motor dessa virada é o Proton. Na prática, ele é uma camada de compatibilidade baseada no Wine que permite rodar jogos de Windows no Linux. A tese da fonte é objetiva: ao combinar SteamOS e Steam Deck, a plataforma passou a entregar um nível de compatibilidade capaz de colocar “quase todo” o catálogo de jogos de Windows dentro de um ambiente Linux, com desempenho muitas vezes comparável, e por vezes superior.

Isso muda o comportamento do usuário em duas etapas:

  1. Primeiro, ele compra um dispositivo pensado para gaming e começa a jogar. Ele nem precisa se importar com o sistema operacional, porque o ambiente já está pronto.
  2. Depois, ele descobre que o Deck também tem “modo desktop”. Ali, o Linux deixa de ser apenas “o sistema do jogo” e vira uma distribuição completa: dá para instalar ferramentas, IDEs, apps profissionais e pacotes universais como Flatpaks.

A fonte descreve esse processo como uma espécie de “evangelização suave”. Não é uma conversão ideológica, é uma migração por conveniência: a porta de entrada é o gaming e o restante do desktop vem no pacote, sem exigir que o usuário reaprenda tudo antes de obter valor.

Esse movimento também pressiona uma das dores clássicas do Linux no desktop: a fragmentação. O texto aponta que GNOME e KDE estão unindo forças para criar um magasin d’applications baseado em Flatpak, com a ambição de substituir, no cotidiano do usuário, o modelo tradicional de distribuição de software via DEB e RPM. O argumento é pragmático: apps em Flatpak rodam em qualquer distribuição, o que reduz o custo de “ser compatível com Linux” no mundo real.

O que muda para quem usa

  • Se você joga na Steam, a experiência no Linux tende a ser cada vez menos “exceção” e mais “padrão que funciona”, impulsionada por SteamOS e Proton.
  • O Steam Deck funciona como um atalho de adoção: você entra pelo gaming e, se quiser, fica no desktop sem trocar de sistema.
  • A barreira de software tradicional do desktop continua existindo, com destaque para Adobe Photoshop e Microsoft Office, citados como ausências relevantes.
  • A resposta do ecossistema passa por padronização de entrega de apps, com Flatpak como aposta para reduzir a fragmentação.
  • A tendência descrita na fonte é de continuidade: o Linux segue recuperando espaço dentro da cadeia de PCs, em comparação com o Windows.

Mini-glossário

  • SteamOS: SteamOS, sistema baseado em Linux otimizado para jogos, usado como base no Steam Deck.
  • Proton: Proton, camada de compatibilidade baseada em Wine para rodar jogos de Windows no Linux.
  • Flatpak: Flatpak, formato universal de empacotamento e distribuição de apps que roda em múltiplas distribuições Linux.
  • Wine: Wine, tecnologia de compatibilidade que permite executar programas de Windows em sistemas tipo Unix.
  • Steam Hardware & Software Survey: Steam Hardware & Software Survey, pesquisa recorrente da Valve que mede o perfil de hardware e software dos usuários da Steam.

Frases para guardar

  • Proton é a camada de compatibilidade, baseada em Wine, que viabiliza jogos de Windows no Linux.
  • A correção da pesquisa elevou o Linux para 3,58% na Steam, acima dos 3,19% iniciais de dezembro de 2025.
  • O Steam Deck normaliza o Linux ao entregar um ambiente pré-configurado, com menos fricção para jogar.
  • O sucesso do hardware cria uma “adoção por osmose”: o usuário joga e só depois percebe que está no Linux.
  • A fragmentação do desktop (pacotes DEB e RPM) é um alvo direto de iniciativas baseadas em Flatpak.
  • A promessa prática do ecossistema é simples: jogar primeiro, explorar o desktop depois, sem troca de plataforma.
  • Citação traduzida (da fonte): “Embora o Linux seja melhor para programação, eu escolheria o Windows em vez do Linux para jogos e para usar o Microsoft Office.”
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