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Munique pretende abandonar o Linux e o LibreOffice

A decisão partiu do comitê, e tudo indica que não irá mudar.

O comitê administrativo e de pessoal do conselho da cidade de Munique desistiu de continuar à adoção ao GNU/Linux e tem planos de até 2020 já ter o Windows 10 em todas as suas máquinas. Mas ainda não é oficial ainda, confira o posicionamento de alguns membros do conselho. A mudança também afetará o LibreOffice, pois o novo orçamento contempla o Windows 10 já com o Microsoft Office e também a data prevista para a famosa batida de martelo pelo conselho.

Munique vai deixar mesmo o Linux?

Uma coalizão de social-democratas e conservadores na comissão votou (PDF, auf Deutsch, natürlich) para a migração do Windows, a conselheira social-democrata Anne Hübner. Munique ficou conhecida no mundo inteiro em especial no mundo GNU/Linux, por decidir usar Linux e LibreOffice para tornar a cidade independente das garras da Microsoft. Mas o plano nunca foi totalmente realizado os servidores de e-mail, por exemplo, acabaram sendo migrados para o Microsoft Exchange e, em fevereiro deste ano, o conselho da cidade votou formalmente para acabar com a migração do Linux e voltar para a Microsoft. Hübner disse que a cidade tem sofrido com a adoção do LiMux.

Os usuários foram prejudicados e o software essencial para o setor público está disponível somente para o Windows.

Anne Hübner Membro do conselho

Ela calculou que cerca de metade dos 800 programas necessários não funcionam no Linux e muitos outros precisam de muito esforço e soluções alternativas.

...nos últimos 15 anos, muitos dos nossos esforços foram direcionados em tornarmo-nos independentes da Microsoft,incluindo gastar muito dinheiro à procura de soluções alternativas, mas esses esforços falharam.

Anne Hübner Membro do conselho

Um voto do conselho geral sobre a migração do Windows 10 em 2020 está definido para 23 de novembro, disse Hübner. No entanto, os social-democratas e os conservadores têm uma maioria no conselho, e espera-se que o resultado seja o mesmo.

Ela disse que o custo da migração não será divulgado até 23 de novembro, mas hoje cerca de 40 por cento dos 30.000 usuários já possuem máquinas Windows.

O membro do conselho do partido da CSU, Kristina Frank, disse ao The Reg :

Munique teve grandes dificuldades em se comunicar com outras autoridades, comunidades e outros externos. À medida que tudo precisava ser desenvolvido por nós mesmos, a TI da cidade estava a 10 a 15 anos atrás do padrão do mercado. A cidade de Munique não é um polo de desenvolvimento de TI, mas possui outras preocupações importantes para lidar.

Kristina Frank Membro do conselho do partido da CSU

Munique vai deixar o LibreOffice ?

Hübner disse que “nenhuma decisão final ainda foi tomada” sobre se o LibreOffice será trocado para o Microsoft Office. “Isso será decidido no final do próximo ano, quando o custo total de tal movimento será conhecido”.

Matthias Kirschner, presidente da Free Software Foundation Europe em Berlim, disse que “nunca houve nenhum estudo publicado” indicando o que as pessoas estavam “infelizes”. Pode ter sido o próprio sistema LiMux, ou talvez o processo de migração ou a falta de suporte.

Ele disse que também não estava ciente de uma comparação sobre a insatisfação dos funcionários nas cidades usando o Windows. Um relatório (PDF) do parceiro Microsoft Accenture encomendado por Munique detectou que as questões mais importantes eram organizacionais, o relatório esta no final do post.

Kirschner também descreveu o movimento em torno do LibreOffice como “estranho” se as partes estiverem preocupadas com a interoperabilidade. Ele disse que o Microsoft Office será “muito, muito caro”, então é possível que essas votações tenham sido criadas para dividir os custos.

No ano que vem, ele disse que os funcionários públicos iram exigir mais treinamento e poderam atrasar os cidadãos de Munique a receberem atendimento, disse ainda que a mudança “é uma causa do fracasso”.

As questões de TI são normais, independentemente do sistema operacional. Quando é político, a tecnologia não pode fazer nada.

Porta-voz da The Document Foundation - Itália

Kirschner disse que o projeto do Windows em Munique “paralisará a administração da cidade por anos” e funcionários públicos e cidadãos “sofrerão”.

Florian Roth, da Green Party: “Nosso Partido Verde é contra esta decisão, mas a favor de uma mistura de Linux e Windows. Isso é mais seguro e menos caro”.

 

 

Confira o relatório gerado por Munique:

Relatório PDF

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