Patente da Garmin revela tecnologia para estimar glicose pelo pulso

Garmin aposta na estimativa de HbA1c pelo pulso e entra na corrida pelo monitoramento de glicose não invasivo nos smartwatches.

Escrito por
Jardeson Márcio
Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista...

A busca pelo monitoramento de glicose sem agulhas ganha um novo competidor de peso. A Garmin registrou uma patente que descreve um método para estimar níveis de glicose de longo prazo diretamente pelo pulso, utilizando sensores ópticos integrados ao smartwatch.

A nova patente da Garmin sobre glicose chama atenção porque não tenta medir a glicemia instantânea. Em vez disso, o foco está na HbA1c, um marcador clínico que indica a média da glicose nos últimos dois a três meses. Essa abordagem pode representar um caminho mais viável dentro da corrida pelo monitoramento metabólico em wearables.

O mercado de relógios inteligentes evoluiu rapidamente. O que começou com contagem de passos hoje inclui frequência cardíaca, saturação de oxigênio, estresse e qualidade do sono. A saúde metabólica é o próximo território estratégico, e a Garmin entra oficialmente nessa disputa.

O que é a tecnologia de HbA1c na patente da Garmin

A principal diferença desta patente está no alvo biológico. A HbA1c, ou hemoglobina glicada, é formada quando a glicose se liga à hemoglobina presente nos glóbulos vermelhos. Como essas células têm vida média de cerca de 120 dias, o exame de HbA1c reflete a média glicêmica do período.

Ao mirar a HbA1c no relógio, a Garmin evita a complexidade de tentar medir glicose circulante em tempo real, algo que exige precisão extremamente elevada para uso clínico.

De acordo com o documento, o método envolve sensores ópticos baseados em espectroscopia, técnica que analisa a interação da luz com o tecido biológico. O sistema funcionaria de forma semelhante ao sensor de PPG já utilizado para medir frequência cardíaca.

O processo descrito inclui:

  • Emissão de múltiplos comprimentos de onda de luz;
  • Leitura do sinal refletido pelo tecido;
  • Análise algorítmica para identificar padrões associados à hemoglobina glicada;
  • Correlação estatística com dados clínicos previamente calibrados.

Em termos simples, o relógio analisaria variações sutis na forma como a luz atravessa o sangue sob a pele, buscando indícios relacionados à glicação da hemoglobina.

Se a tecnologia evoluir, o smartwatch poderia oferecer uma estimativa periódica de tendência metabólica, ampliando o escopo de saúde metabólica da Garmin.

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Imagem: Android Authority

A corrida contra Apple e Samsung pelo monitoramento metabólico

A patente da Garmin para estimar glicose não surge isoladamente. Há anos circulam informações de que Apple e Samsung pesquisam soluções de monitoramento de glicose não invasivo.

Grande parte dos rumores sobre smartwatch e glicemia envolve tentativas de medir níveis instantâneos de açúcar no sangue. Esse é um desafio técnico enorme, pois pequenas variações podem comprometer a precisão.

A estratégia da Garmin parece diferente. Ao focar na estimativa da HbA1c, a empresa adota um marcador clínico consolidado, usado globalmente no diagnóstico e acompanhamento do diabetes.

A Huawei já oferece, em alguns mercados, recursos de avaliação de risco metabólico. No entanto, esses sistemas são classificados como ferramentas de tendência e não como medidores clínicos.

Se a Garmin conseguir validar cientificamente sua abordagem, poderá se posicionar como referência em saúde metabólica dentro do segmento esportivo e de bem-estar.

O desafio da precisão e a regulação da Anvisa

É importante destacar que uma patente não garante um produto comercial. Muitas tecnologias registradas nunca chegam ao mercado.

O monitoramento de glicose não invasivo é considerado um dos maiores desafios da engenharia biomédica moderna. Fatores como temperatura da pele, hidratação, pigmentação e posicionamento do sensor influenciam a leitura óptica.

No Brasil, qualquer dispositivo que alegue medir ou estimar glicose para fins médicos precisa de aprovação da Anvisa. Isso envolve estudos clínicos robustos que comprovem precisão comparável aos métodos laboratoriais.

Atualmente, smartwatches não substituem exames laboratoriais nem sensores contínuos de glicose aprovados para uso médico. Órgãos de saúde alertam que decisões terapêuticas não devem ser baseadas em estimativas não validadas clinicamente.

Caso a tecnologia avance, é provável que o recurso seja inicialmente apresentado como ferramenta de acompanhamento de tendências, e não como exame diagnóstico.

Conclusão

A nova patente da Garmin para estimar glicose de longo prazo pelo pulso reforça uma tendência clara: os smartwatches estão se transformando em plataformas de saúde preventiva.

Ao focar na HbA1c, a empresa adota uma abordagem técnica mais alinhada à prática clínica, evitando promessas de medição instantânea que ainda enfrentam grandes barreiras tecnológicas.

Se validada cientificamente, essa inovação pode ampliar o papel dos wearables na prevenção de doenças metabólicas, ajudando usuários a identificar padrões de risco antes que se tornem problemas clínicos.

Ainda assim, é fundamental manter cautela. Patentes representam intenção tecnológica, não garantias de lançamento.

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Jardeson Márcio é Jornalista e Mestre em Tecnologia Agroalimentar pela Universidade Federal da Paraíba. Com 8 anos de experiência escrevendo no SempreUpdate, Jardeson é um especialista em Android, Apple, Cibersegurança e diversos outros temas do universo tecnológico. Seu foco é trazer análises aprofundadas, notícias e guias práticos sobre segurança digital, mobilidade, sistemas operacionais e as últimas inovações que moldam o cenário da tecnologia.