A interface oficial do Raspberry Pi OS foi atualizada com recursos que aproximam o sistema de designs contemporâneos. A principal novidade é a introdução de um dock de aplicativos, acompanhada por um novo motor de renderização de plano de fundo que reduz o consumo de RAM em hardwares mais antigos. As mudanças afetam as instalações baseadas no Debian Trixie.
O que isso muda na prática

Historicamente, o Raspberry Pi Desktop manteve uma interface conservadora, semelhante a sistemas dos anos 90, para priorizar a curva de aprendizado quase nula. Com a nova atualização, o usuário ganha a liberdade de adotar um visual focado em um dock inferior, organizar aplicativos em categorias gráficas e gerenciar janelas abertas com contadores numéricos. Para quem prefere o layout clássico com barra de tarefas superior, o sistema permite manter a interface tradicional intacta, ativando as novidades apenas de forma opcional.

Novo dock e launcher de aplicativos

O ambiente, que vem evoluindo em sua base Wayland e labwc, introduz dois novos widgets voltados para o dock. O primeiro é um launcher gráfico desenhado para substituir o menu principal em formato de lista. Ele organiza os ícones em ordem alfabética com suporte a hierarquia de categorias e recurso de arrastar e soltar.
O segundo widget atua como uma combinação de lançador rápido e lista de tarefas. Aplicativos em execução exibem um pequeno contador numérico sobre o ícone, indicando a quantidade de janelas abertas. O usuário pode clicar no ícone para trazer todas as instâncias do software para o primeiro plano ou usar o botão direito para maximizar e ocultar janelas individualmente.
O dock suporta ocultação automática (autohide) e a configuração de exclusividade (exclusive mode), que impede que janelas maximizadas cubram a área do menu. O painel “Widgets” do Control Centre foi reformulado, permitindo que a barra de tarefas tradicional e o novo dock coexistam. O sistema agora também oferece perfis de layout pré-configurados em “Defaults”: apenas barra de tarefas, apenas dock, ou uma combinação de ambos.
Eficiência com swaybg e fim do Active Desktop
A mudança técnica mais relevante ocorre no gerenciamento da própria área de trabalho. Anteriormente, o papel de parede e os ícones do desktop eram desenhados pelo pcmanfm, o gerenciador de arquivos padrão. Como esse método exige que o gerenciador rode permanentemente, o consumo de recursos é constante.
A atualização permite desativar o “Active Desktop”, transferindo a renderização do fundo de tela para o utilitário leve swaybg. A alteração elimina o suporte a ícones na área de trabalho, mas resulta em economia substancial de memória, sendo recomendada oficialmente para qualquer dispositivo Raspberry Pi com menos de 2 GB de RAM.
Como o pcmanfm deixa de atuar em tempo integral no fundo, a função de montagem automática de unidades de armazenamento removíveis foi transferida para o plugin ejecter, que agora exibe notificações automáticas quando um dispositivo é conectado.
Atalhos, capturas de tela e disponibilidade
A interface também ganhou um menu dedicado no Control Centre para visualização, edição e criação de atalhos globais de teclado.
O comportamento do sistema para capturas de tela foi alterado. Ao pressionar a tecla PrtScrn, em vez de um salvamento silencioso na pasta de imagens, o sistema exibe uma caixa de diálogo oferecendo opções para copiar para a área de transferência ou enviar o arquivo para um editor. O comando Alt+PrtScrn agora aciona uma ferramenta de seleção de área.
A atualização visual e estrutural é exclusiva para o Raspberry Pi OS baseado no Debian Trixie. O engenheiro Simon Long confirmou que a versão baseada no Bookworm receberá apenas correções de segurança. Os pacotes já estão disponíveis via APT nos repositórios oficiais e vêm embutidos nas novas imagens do sistema operacional. Interações recentes no fórum de desenvolvedores apontam que uma edição equivalente do Trixie com o novo Desktop para a arquitetura x86 também está em estágio avançado de preparação.
