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50 anos da Apollo 11 e a computação – Parte 2

Missões Apollo ajudaram a moldar o programa do Ônibus Espacial e até de sondas interplanetárias

50 anos da Apollo 11 e a computação - Parte 2
Astronauta Eugene A. Cernan num veículo lunar durante a missão Apollo 17. Crédito: NASA.

Antes de mais nada, curtiu a primeira parte dessa história, que contou um pouco sobre os 50 anos da Apollo 11? Então, neste artigo, aprenda como as missões Apollo ajudaram a estabelecer as bases para futuras missões ao espaço.

Os Ônibus Espaciais e a computação

Segundo Ella Atkins, diretora do laboratório de sistemas aeroespaciais autônomos na Universidade de Michigan membro sênior do IEEE:

Através das missões Apollo, nós aprendemos que poderíamos fazer cálculos matemáticos rápido o suficiente para permitir que a órbita fosse calculada corretamente. Aprendemos como depurar código bem o bastante para que não houvesse quaisquer problemas.

De acordo com Atkins, a equipe de programação por trás do programa do Ônibus Espacial era a melhor equipe de programadores do mundo.

Programar não era empolgante, mas eles estavam focados em encontrar e consertar problemas.

50 anos da Apollo 11 e a computação - Parte 2
Ônibus espacial Columbia aterrissando após uma missão espacial. Crédito: NASA.

Missões Apollo ajudaram a estabelecer base sólida para missões futuras

Quando há falhas nos sistemas do computador de bordo, os astronautas precisam ser capazes de controlar sua espaçonave manualmente. Falando em um evento recente no Museu da Ciência em Londres, a cosmonauta inglesa Helen Sharman, que participou numa missão de 8 dias a bordo da estação espacial Mir em 1991, descreveu os riscos que ela e a tripulação enfrentaram conforme acoplavam na Mir.

A cerca de 100 km da estação espacial Mir, Sergei [Krikalevey] percebeu que estávamos num ângulo errado em relação à Terra. Nós nos demos conta que algumas das informações procedentes dos computadores não pareciam estar corretas. Então, não podíamos confiar no sistema automático para nos guiar para a estação espacial.

A equipe precisou trabalhar como um time para fazer a espaçonave Soyuz acoplar na Mir. O trabalho do comandante era guiar a Soyuz. Enquanto isso, Sharman disse que seu trabalho envolvia operar a vídeo câmera do periscópio para permitir que ele visse para onde estava indo.

Sergey descobriu quais informações eram relevantes e verbalmente as transmitiu para Anatoly [Artsebarsky, o comandante da espaçonave].

50 anos da Apollo 11 e a computação - Parte 2
Helen Sharman foi a primeira cidadã do Reino Unido a ir ao espaço.

Longevidade dos sistemas é necessária para viagens espaciais

Agora, pare pra pensar um pouco: como 50 anos depois da Apollo 11, os métodos podem se aplicar numa missão à outros planetas?

As vastas distâncias que uma espaçonave viaja em uma missão interplanetária são um fator importante. Segundo Atkins, as sondas que aventuram-se nos confins do sistema solar e além precisam ser projetadas com capacidade de adaptação. Ainda mais, precisam ser capazes de rodar experimentos para além dos objetivos da missão original.

Do mesmo modo, a habilidade de se comunicar remotamente com uma sonda usando energia limitada pelas vastas distâncias do espaço foi demonstrada com as missões Cassini e Galileu.

Cada uma delas teve um momento em que engenheiros ficaram tentando descobrir o que fazer em seguida. Isso resultou em mudanças no software para possibilitar que a ciência fosse feita melhor e para corrigir problemas no hardware, diz Atkins.

Além disso, a Cassini continuou a operar por quase 20 anos, mudando a maneira que cientistas pensam sobre o sistema solar, antes que colidisse com Saturno em 15 de setembro de 2017. É essa habilidade de adaptar sistemas de computação além de seus objetivos originais do projeto que define a exploração espacial moderna.

Missão tripulada para Marte e além

Segundo Atkins, existe um papel muito importante para a Inteligência Artificial no espaço. Ela diz:

Se colocarmos pessoas num ambiente desafiador, precisamos assegurar que elas sejam apoiadas por um computador.

Cada astronauta numa missão espacial tende a gastar muito tempo fazendo tarefas de baixo nível, como monitorar sistemas. Porém, estas tarefas podem ser entregues a sistemas modernos de machine learning.

50 anos depois da primeira visita à Lua, onde há um mínimo de 3 minutos de latência em comunicações com a Terra, significa que a Inteligência Artificial pode também ser necessária como uma espécie de companheira com a qual astronautas humanos possam conversar.

Enfim, é realmente fascinante como as missões Apollo (a Apollo 11 completa 50 anos neste ano) ajudaram o programa do Ônibus Espacial e até de sondas interplanetárias. Tudo isso é referência para nossos projetos e uma inspiração para nossos sistemas de hardware e software atuais.

Fonte.

Clique aqui para ler a Parte 1.

Leia sobre como a SpaceX usa o Linux em seus foguetes e espaçonaves.

Escrito por Leonardo Santana

Astrônomo amador e eletrotécnico. Apaixonado por TI desde o século passado.

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