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Apple e Google se unem e colocam em risco a privacidade de usuários

Empresas lançam ferramenta de monitoramento conjunto da COVID-19.

A fragmentação do Android se torna ainda mais óbvia
9 em cada 10 iPhones lançados há quatro anos já estão executando o iOS 13.

A pandemia de Coronavírus (Covid-19) domina os assuntos na mídia e em casa. A situação se tornou muito séria em vários países que recorrem a vários métodos isolar pessoas. E este isolamento está ameaçando, inclusive, a privacidade alheia por meio de rastreamento de celulares, por exemplo. No entanto, agora, mais um passo em relação a esse rastreamento foi dado pelas duas maiores empresas responsáveis pelos principais sistemas operacionais usados em smartphones: Apple e Google se unem para o monitoramento conjunto da COVID-19.

As empresas alegam que isso permitirá detectar as infecções com mais eficácia. Contudo, estão gerando muitos protestos.

De fato, essa combinação de esforços resultará na implementação de uma “solução completa que inclui APIs (Application Programming Interface) e tecnologia dentro do sistema operacional para ajudar a ativar o rastreamento de contatos”.

Apple e Google se unem e colocam em risco a privacidade de usuários

Dada a urgência, as empresas anunciam que esse plano será implementado em duas etapas.

  • Primeiro, em maio, as duas empresas lançarão APIs que permitem a interoperabilidade entre dispositivos Android e iOS usando aplicativos de autoridades de saúde pública. Esses aplicativos oficiais estarão disponíveis para os usuários baixarem em suas respectivas lojas.
  • Segundo, nos próximos meses, Apple e Google trabalharão para habilitar uma plataforma mais ampla de rastreamento de contatos baseada em Bluetooth, integrando essa funcionalidade entre plataformas.

De acordo com as duas empresas:

É uma solução mais robusta que uma API e permitirá que mais pessoas participem, se optarem por participar, além de permitir a interação com um ecossistema maior.

Este anúncio parece ser muito oportuno, pois os aplicativos de rastreamento de contatos disponibilizados ao público em geral mostraram seus limites. Eles não permitiram a troca de dados via Bluetooth entre dispositivos iOS e Android.

Os pesquisadores do MIT que introduziram um aplicativo de rastreamento de contatos usando Bluetooth há alguns dias atrás, como o sistema Find My da Apple, também reconheceram que, para que esse aplicativo seja eficaz, os grandes nomes da tecnologia devem trabalhar juntos.

Quanto à função desta proposta, ele menciona que:

Apple e Google se unem e colocam em risco a privacidade de usuários

Os identificadores mudam a cada 15 minutos e, se uma pessoa que usa o aplicativo declara positivo para o coronavírus, com consentimento adicional, o aplicativo transmite seus identificadores nos últimos 14 dias para o servidor da agência de saúde.

Se entre os contatos, um usuário tiver um aplicativo de saúde pública, ele fará o download das senhas do usuário com teste positivo e o aplicativo avisará que eles estiveram em contato com uma pessoa declarada positiva.

Em seguida, serão feitas recomendações ao último para que ele possa tomar as medidas apropriadas para o futuro.

Quanto à segunda fase, consiste em integrar uma ferramenta de rastreamento de contatos em um nível inferior nos sistemas operacionais Android e iOS. A vantagem dessa segunda solução é impedir que os usuários baixem aplicativos de rastreamento de contatos fornecidos por órgãos de saúde pública.

Portanto, mesmo que uma pessoa não tenha baixado um aplicativo de rastreamento de contatos, essa ferramenta nativa permitirá que, com o consentimento deles, sigam os contatos e também sejam seguidos.

Apple e Google. E a privacidade, onde fica?

Por fim, embora a ideia e a abordagem do aplicativo possam ser defendidas, a preocupação com a privacidade surge entre os usuários, uma vez que Apple e Google não são considerados os mais aptos a dizer que a privacidade é garantida.

Embora, dada a situação, muitos também acreditem que pode ser uma forma de aproveitar a tecnologia para lutar o máximo possível para reduzir o número de pessoas infectadas e poder isolar oportunamente todas as pessoas que tiveram contato com pessoas infectadas.

Entretanto, muitos problemas surgem mesmo que a privacidade seja deixada em segundo plano, pois também há várias situações em que simplesmente não pode funcionar, por exemplo, em países subdesenvolvidos, com pessoas que moram em apartamentos (porque o aplicativo verifica). Além do fato de o protocolo Bluetooth ser considerado um dos mais vulneráveis.

Fonte: https://www.blog.google

Escrito por Claylson Martins

Jornalista com pós graduações em Economia, Jornalismo Digital e Radiodifusão.