A chegada do modem MediaTek ao Pixel 11 Pro marca uma mudança importante na estratégia de conectividade dos smartphones da Google. Depois de várias gerações utilizando soluções de modem associadas à arquitetura Exynos da Samsung, a empresa passou a adotar uma plataforma MediaTek justamente em uma área que há anos gera reclamações entre usuários: sinal instável, perda de 5G, aquecimento e consumo elevado de bateria.
A mudança, porém, só é realmente relevante se aparecer nos resultados práticos. Por isso, a comparação entre Pixel 11 Pro e Pixel 10 Pro é mais interessante quando sai das especificações e chega ao uso cotidiano. Testes realizados em áreas com diferentes níveis de cobertura avaliaram intensidade do sinal em dBm, velocidades de download e upload, latência e consumo de bateria durante streaming de vídeo em 5G.
Os resultados apontam para uma evolução importante, especialmente em retenção do 5G, velocidade de download e eficiência energética. Entretanto, o novo modem não venceu em todas as métricas. O upload, por exemplo, apresentou resultados inferiores aos do Pixel 10 Pro em determinados cenários.
Por que o modem MediaTek do Pixel 11 Pro é tão importante?
Um modem celular é muito mais do que o componente responsável por mostrar o ícone 4G ou 5G na tela. Ele participa diretamente da comunicação entre o smartphone e a estação rádio base da operadora, influenciando estabilidade da conexão, velocidade, latência e consumo de energia.
Nos Pixel equipados com as primeiras gerações do Tensor, os modems utilizados foram frequentemente apontados como um dos pontos mais problemáticos da plataforma. As críticas envolviam principalmente recepção abaixo do esperado, alternância entre 5G e 4G, aquecimento durante uso intenso da rede móvel e impacto na autonomia.
A Google foi aprimorando a plataforma ao longo das gerações, mas o Pixel 11 Pro representa uma ruptura mais significativa. A empresa abandonou a solução anterior baseada em tecnologia Samsung e adotou um modem MediaTek de nova geração, integrado ao ecossistema de hardware do aparelho.
Essa alteração é particularmente importante porque conectividade e eficiência energética estão diretamente relacionadas. Em regiões de cobertura ruim, um modem menos eficiente pode precisar trabalhar mais para manter a conexão, aumentando o consumo e potencialmente a temperatura do dispositivo.

O fim da era Exynos e a busca por eficiência
É importante evitar uma conclusão simplista de que todos os problemas anteriores dos Pixel eram culpa exclusiva do modem. Antenas, operadoras, bandas utilizadas, configuração da rede, distância da torre e obstáculos físicos também interferem na qualidade da conexão.
Ainda assim, substituir o componente responsável pela comunicação celular pode alterar significativamente o comportamento do aparelho.
A proposta do novo modem MediaTek é justamente oferecer maior eficiência na comunicação 5G, reduzindo o esforço necessário para manter uma conexão estável. Na prática, isso pode resultar não apenas em velocidades maiores, mas também em menor consumo de energia quando o smartphone está submetido a condições difíceis de cobertura.
É esse segundo aspecto que torna os testes do Pixel 11 Pro particularmente interessantes. Um modem melhor não precisa necessariamente entregar a maior velocidade máxima. Em muitas situações, é mais importante continuar conectado, permanecer no 5G e fazer isso consumindo menos energia.
Como os testes do Pixel 11 Pro foram realizados?
A comparação prática colocou o Pixel 11 Pro lado a lado com o Pixel 10 Pro, utilizando o mesmo cartão SIM e condições equivalentes de rede móvel. O objetivo foi reduzir ao máximo as diferenças provocadas por operadora, plano de dados ou configuração da conexão.
Os aparelhos também foram testados com Android 17, permitindo uma comparação mais equilibrada entre as duas gerações.
A análise foi dividida em três áreas principais. Primeiro, foi medida a intensidade do sinal em dBm, incluindo ambientes internos com cobertura fraca, áreas internas com sinal intermediário e locais externos com melhor recepção.
Depois vieram os testes de download, upload e latência. Por fim, os aparelhos foram submetidos a uma atividade bastante representativa do uso cotidiano: reprodução contínua de vídeo em 1080p a 60 fps através da rede 5G, permitindo observar o impacto do modem na autonomia.
Como qualquer teste de conectividade depende das condições da rede, os resultados devem ser interpretados como uma fotografia prática do desempenho, e não como uma garantia de que todos os usuários terão exatamente os mesmos números.
Resultados práticos do modem MediaTek do Pixel 11 Pro
Os resultados revelam uma característica importante da nova solução: o Pixel 11 Pro não necessariamente apresenta o sinal mais forte em todas as situações, mas consegue manter uma conexão 5G funcional em condições nas quais o modelo anterior já havia recuado para 4G.
Intensidade de sinal e estabilidade da conexão
A intensidade do sinal foi medida em dBm, uma unidade utilizada para representar a potência recebida pelo aparelho. Como os valores são negativos, um número mais próximo de zero representa sinal mais forte. Assim, -80 dBm é melhor que -100 dBm.
Nos ambientes avaliados, os resultados foram:
| Cenário | Pixel 11 Pro | Pixel 10 Pro |
|---|---|---|
| Ambiente interno, sinal fraco | -99 dBm, 5G | -101 dBm, 4G |
| Ambiente interno, sinal médio | -97 dBm, 5G | -100 dBm, 5G |
| Ambiente externo | -82 dBm, 5G | -74 dBm, 5G |
O resultado mais significativo aparece justamente no cenário de sinal fraco.
Com aproximadamente -99 dBm, o Pixel 11 Pro conseguiu permanecer conectado ao 5G. O Pixel 10 Pro, com -101 dBm, acabou utilizando 4G.
Isso não significa que o novo smartphone tenha sempre uma recepção mais potente. No ambiente externo, por exemplo, o Pixel 10 Pro apresentou -74 dBm, contra -82 dBm do modelo novo.
A diferença está na capacidade de gerenciar a conexão em condições adversas. Para o usuário, isso pode ser mais importante do que simplesmente observar um número melhor de dBm.
Download, upload e latência
O desempenho de download foi um dos pontos mais fortes da nova solução.
Em ambiente externo, o Pixel 11 Pro alcançou aproximadamente 671 Mbps, enquanto o Pixel 10 Pro ficou em torno de 593 Mbps. O ganho foi de aproximadamente 13%.
Em ambiente interno, onde a qualidade do sinal era mais limitada, a vantagem aumentou. O Pixel 11 Pro atingiu cerca de 493,3 Mbps, contra 405,3 Mbps do Pixel 10 Pro.
Nesse cenário, a diferença chegou a aproximadamente 22% no download.
Na prática, esse ganho pode ser percebido ao baixar aplicativos, sincronizar arquivos, carregar páginas pesadas ou iniciar vídeos em alta resolução.
Entretanto, o resultado muda quando analisamos o upload.
No ambiente externo, o Pixel 11 Pro registrou cerca de 98,7 Mbps, enquanto o Pixel 10 Pro alcançou 106,3 Mbps. No ambiente interno, a diferença foi ainda maior: aproximadamente 14,4 Mbps contra 24,7 Mbps.
Portanto, não existe uma vantagem universal em todas as métricas. O novo modem do Pixel 11 Pro se destaca principalmente no download e na estabilidade do 5G, enquanto o upload continua sendo uma área na qual o modelo anterior pode levar vantagem.
A latência também apresentou diferenças pequenas. Em ambiente externo, o Pixel 11 Pro ficou próximo de 17 ms, contra 18,7 ms do Pixel 10 Pro. Em ambiente interno, porém, o Pixel 10 Pro registrou aproximadamente 18 ms, enquanto o novo aparelho ficou em 21 ms.
Consumo de bateria durante streaming 5G
É no consumo de energia que a troca de modem pode ter uma consequência mais interessante para o usuário comum.
Durante o teste, os dois smartphones reproduziram vídeo em 1080p a 60 fps utilizando a rede móvel, sem recorrer ao Wi-Fi. O objetivo foi observar quanto da bateria seria consumido durante uma atividade contínua de transferência de dados.
Após 30 minutos, o Pixel 11 Pro passou de 66% para 63%, uma queda de 3 pontos percentuais.
O Pixel 10 Pro caiu de 61% para 56%, representando um consumo de 5 pontos percentuais no mesmo período.
Nesse teste específico, o aparelho mais recente consumiu aproximadamente 40% menos carga.
É fundamental interpretar esse número corretamente. Isso não significa que a bateria do Pixel 11 Pro tenha 40% mais autonomia. A duração total depende de tela, processador, temperatura, aplicativos, qualidade do sinal e diversas outras variáveis.
O resultado demonstra algo mais específico: durante uma sessão de streaming em 5G, o conjunto de modem e gerenciamento de conexão do Pixel 11 Pro mostrou maior eficiência.
Essa característica também pode contribuir para temperaturas mais controladas. Um modem que precisa realizar menos esforço para manter uma conexão estável tende a reduzir uma das fontes de carga térmica durante atividades prolongadas em rede móvel.
O Pixel 11 Pro finalmente corrige os problemas de conectividade?
Os resultados indicam que a Google acertou em uma das áreas mais importantes da nova geração, mas seria exagerado dizer que todos os problemas foram eliminados.
O novo modem MediaTek do Pixel 11 Pro apresentou três vantagens especialmente relevantes: maior capacidade de manter o 5G em sinal fraco, download mais rápido e menor consumo de bateria durante streaming em rede móvel.
O ganho de até 22% no download em ambiente interno chama atenção, mas a capacidade de continuar no 5G em uma área onde o Pixel 10 Pro mudou para 4G talvez seja ainda mais importante para a experiência cotidiana.
Por outro lado, o Pixel 10 Pro apresentou melhor desempenho de upload em ambos os cenários analisados e chegou a registrar sinal mais forte em ambiente externo. Isso mostra por que não é correto transformar os testes em uma simples disputa de “MediaTek contra Samsung”.
O que realmente mudou é o equilíbrio entre desempenho, estabilidade e eficiência.
Para quem já teve um Pixel que aquecia durante o uso de dados móveis, perdia o 5G com frequência ou consumia bateria rapidamente em regiões de cobertura ruim, essa pode ser uma das atualizações mais relevantes da geração Pixel 11.
Ainda são necessários testes com diferentes operadoras, bandas, cidades, níveis de sinal e períodos prolongados de uso para determinar se os ganhos se repetem de maneira consistente.
Mesmo assim, os primeiros resultados são promissores. A troca para o modem MediaTek parece ter atacado diretamente alguns dos pontos que mais incomodavam usuários das gerações anteriores.
Para o comprador que está decidindo entre manter um Pixel antigo ou migrar para a nova geração, conectividade deixou de ser apenas uma especificação técnica e passou a ser um dos argumentos mais concretos a favor do Pixel 11 Pro.
